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sábado, 6 de setembro de 2014

Atuação da Fisioterapia na Paralisia Cerebral

Nesse dia 04 de Setembro foi comemorado o Dia Mundial da Paralisia Cerebral, e o post dessa semana foi feito para esclarecer algumas dúvidas e explicar como a fisioterapia pode atuar para melhorar a vida desses pacientes.

O que é a Paralisia Cerebral?

 O termo Paralisia Cerebral (PC), descreve uma série de implicações e danos que acontecem no Sistema Nervoso Central (SNC). A criança com PC geralmente não possui o controle dos músculos do corpo, o que trás dificuldades motoras e incoordenação, consequentemente afetando o desenvolvimento. Essas dificuldades variam desde graus mais leves com perturbações quase que imperceptíveis, até as mais graves como incapacidade para andar, falar e com dependência total dos familiares. Suas causas são quase que sempre decorrentes da falta de oxigenação cerebral e podem acontecer durante a gravidez, no momento do parto ou durante seu desenvolvimento. 
Crianças com PC apresentam déficits sensório-motores, influenciando no comportamento emocional e social, resultando em um desenvolvimento global com atrasos, que muitas vezes são confundidas com a capacidade cognitiva e potencialidade para uma vida independente e autônoma no futuro em fase adulta. Por isso torna-se extremamente importante o acompanhamento de uma equipe multidisciplinar desde o nascimento, ajudando-o e estimulando-o para desenvolver o máximo de suas capacidades , afim de adaptá-los e integra-los a sociedade da melhor forma possível.

Quais são as causas?

A etiologia da PC é multifatorial (várias causas). Qualquer agressão ao SNC que ocorra em idade precoce pode levar a uma lesão irreversível e não pregressiva. Elas se dividem em vários fatores e em 3 grupos:
1) Pré-natais (durante a gravidez): Mal formação do SNC, infecções, anemias graves, distúrbios metabólicos graves (ex: Diabetes) e Hipertensão Arterial Sistêmica.
2) Perinatais (durante e logo após o parto): Traumatismo no parto, sofrimento fetal, distúrbios circulatórios cerebrais, nascimento prematuro, recém nascido de baixo peso.
3) Pós-natais: asfixia, traumatismo cranianos e infecções de sistema nervoso (ex: Meningite).


Como se classifica:
 A lesão ocorre no córtex cerebral e dependendo da localização exata e extensão é que se classifica a PC, nomeando em vários tipos:
Espástica: Atinge apenas um lado do corpo (hemiparesia), membros inferiores (diplegia) ou os quatro membros (quadriplegia). Frequentemente a criança também apresenta dificuldades de fonação e deglutição, contraturas articulares e atrofias.
Atetóide: Presença de movimentos anormais de distribuição difusa, nem sempre simétricos que tendem a se exacerbar a movimentação voluntária e aos estímulos sensoriais ou emocionais.
Atáxia: Caracteriza-se pela incoordenação dos movimentos, distúrbios do equilíbrio que dificultam a movimentação voluntária e a marcha,  diminuindo o tônus muscular.
Hipotônica: Um tipo raro de PC em que a criança apresenta baixo tônus muscular, com características de hipoatividade, falta de controle postural e dificuldade de vencer a gravidade.
Principais problemas associados à PC:
Convulsões, distúrbios da fala e audição, deficiências visuais, dificuldade de aprendizagem, problemas odontológicos, salivação excessiva e escoliose.

Diagnóstico:
É baseado na anamnese e exame físico minucioso. Quanto aos exames complementares usa-se o Eletroencefalograma (EEG) e Tomografia computadorizada (TC) para determinar a extensão e localização das lesões e mal formações congênitas que podem estar associadas.

Tratamento Fisioterapêutico na Paralisia Cerebral:
Estimular o desenvolvimento neuropsicomotor normal e treino das atividades vida diária, os objetivos podem ser estipulados a curto e a longo prazo, direcionando sempre para qualidade de vida, fornecendo orientações para cuidadores e familiares. É importante ressaltar que cada criança tem suas necessidades individuais, que mudam de acordo com a idade.


* Conceito Neuroevolutivo Bobath: usa de pontos chaves para movimentar partes do corpo para conseguir melhor alinhamento biomecânico.
* Treino de marcha.
* Intervenção precoce, Estimulação Neuropsicomotor e Estimulação de Sensibilidade.
* Adaptações para facilitação das Atividades de vida diária (AVD's).
* Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva: Exercício de Kabat, que inibem a hipertonia.

Fonte:

Pereira, C. L. G. et al.; Paralisia Cerebral. São Paulo, 2013.
Brianeze, C. et al.; Efeito de um programa de fisioterapia funcional em crianças com paralisia cerebral associado a orientações aos cuidadores: estudo preliminar. Revista Fisioterapia e Pesquisa, São Paulo, 2009.
www.nacpc.org.br



sexta-feira, 4 de abril de 2014

Autismo

Boa noite Pessoal!!
Essa semana no dia 2 de Abril foi o "Dia Mundial da Conscientização do Autismo", vamos conhecer um pouco mais sobre o assunto?
Boa leitura :)



O médico Leo Kanner em 1943,  foi o primeiro a descrever o autismo como uma síndrome que apresentavam prejuízos nas áreas de comunicação, comportamento e da interação social, caracterizando assim um distúrbio único e não pertencente ao grupo das crianças com deficiência mental. O nome autismo foi proposto para chamar atenção, devido ao grave dano de socialização, que era uma das principais características desses pacientes. 
O autismo pode ser classificado de acordo com seu grau de comprometimento e da intensidade, que difere desde os quadros mais leves em que não há comprometimento da inteligência e da linguagem denominado como Síndrome de Asperger. Até formas mais graves em que o paciente se mostra incapaz de manter qualquer tipo de contato pessoal, mostrando um comportamento agressivo e deficiência mental. As causas do autismo podem ser várias, mas as mais comuns são por fatores genéticos e biológicos.

Quais são os sintomas?

Os sintomas podem aparecer nos primeiros meses de vida, mas  dificilmente são identificados de maneira precoce. A falta de interesse geral, comportamentos repetitivos, dificuldade de se comunicar e conduta anti-social, são sintomas que aparecem antes dos 3 anos de idade e atinge 0,6% da população, sendo quatro vezes mais comuns em meninos do que em meninas.



Diagnóstico:
Leva-se em conta o grau de comprometimento e o histórico do paciente e também pelos critérios estabelecidos pelo DSM - IV (Manual de diagnóstico e estatística da Sociedade Norte-Americana de Psquiatria). Ainda não existe um exame específico para o diagnóstico do Autismo, mas exames como Teste do Pézinho, Sorologias para Sífilis, Rubéola, Toxoplasmose, Teste Neuropsicológicos são realizados para certificação.


Tratamento:
O Autismo é considerado um distúrbio crônico e por esse fato devem ser introduzidos no esquema de tratamento de uma Equipe Multidisciplinar (que envolva todos os profissionais de saúde), logo após a confirmação do diagnóstico. A base do tratamento terapêutico também envolve o contexto familiar, afim de todos realizem a melhor conduta para o máximo de qualidade de vida e independência do paciente. O tratamento medicamentoso auxilia muito na melhora e controle dos sintomas, mas também não existem medicamentos específicos. Vale lembrar que o sucesso do tratamento e um bom prognóstico depende tanto da dedicação do paciente, sua família, cuidador e dos profissionais envolvidos.


Fisioterapia no Autismo:
A fisioterapia pode atuar em diversas fases da criança, adolescente ou adulto com Autismo. A estimulação precoce na infância ajuda nas habilidades motoras e fazem total diferença, uma vez que isso impede que ele também desenvolva um quadro de atraso no desenvolvimento neuropsicomotor. Em crianças em fase pré-escolar estimular as competências e atenção, coordenação motora fina e grossa,  desenvolvimento físico para que ele possa interagir na medida do possível com os colegas. Dentro do ambiente escolar o Fisioterapeuta pode e deve estimular atividades em grupo fazendo tudo de maneira lúdica, chamando atenção das crianças, essas atividades pode incluir os professores, funcionários e os pais, afim de promover a socialização. Montar circuitos com vários obstáculos, faz com que o paciente com autismo fique curioso e assim tente conseguir realizá-lo. Atividades que prendam a atenção e estimulem o seu raciocínio como: quebra-cabeça, lego, jogo da memória também são ótimos e trazem benefícios significativos. 




Outro tipo de terapia que vem ganhando seu espaço para tratamentos com crianças é a PET terapia, uma terapia que utiliza animais para criar um vínculo especial com o paciente, uma vez que assim ele irá ficar mais aberto e disposto a colaborar com o tratamento proposto. 

PET Terapia ou Terapia Assistida por Animais.

Dicas:
* Nunca deixe de acreditar no potencial do indivíduo com Autismo.
* Autistas tem dificuldade de lidar com mudanças por menores que sejam, por isso é importante manter seu mundo organizado e respeitar seus limites.
* É fundamental descobrir uma técnica que permita o diálogo e convivência social com o Austista.





FONTES:
www.autismo.com.br
www.ama.org.br
SCHWARTZMAN, T. S. Austimo e outros transtornos do espectro autista. Revista  Autismo. Setembro, 2010. www.revistaautismo.com.br
American Psychiatric Association (APA). Manual diagnóstico e estatística de transtornos mentais - DSM -IV TR. Tradução de Claudia Dornelles. 4 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2002.

sábado, 22 de março de 2014

Síndrome de Down, um cromossomo a mais de: Amor!

Oi pessoal,

Ontem dia 21 de Março, foi o dia Internacional da Síndrome de Down e o post dessa semana não poderia ser outro se não esse!


Boa leitura :)



A Síndrome de Down (SD) é um tipo de alteração genética, que acontece devido a presença de um cromossomo a mais, sendo este o par de cromossomos 21, o que explica a síndrome também ser conhecida como "Trissomia do 21". Ela foi descrita em 1866 por John Langdon Down, que descreveu como uma alteração genética que afeta o desenvolvimento do bebê, determinando algumas características físicas e cognitivas.
A alteração genética ocorre durante a concepção da criança, onde ao invés de 46 cromossomos se têm 47. Os cromossomos carregam todas as nossas características, desses cromossomos 44 são regulares e formam pares de 1 a 22. Outros dois constituem o par de cromossomos sexuais, chamados de XX no caso das meninas e XY para os meninos. Então quando o bebê apresenta 1 cromossomo a mais, além dos 46 é: Síndrome de Down.
Esquema da Trissomia do 21
A síndrome é a ocorrência genética mais comum que existe no mundo e acontece em cerca de 1 para cada 700 nascimentos. Entre as características físicas associadas a SD estão: em geral eles podem ser menores em estatura e são mais lentos do que crianças da sua idade, as orelhas são pequenas e localizadas abaixo da linhas do olhos, hipotonia muscular, os olhos são amendoados, o nariz é pequeno e achatado, as mãos apresentam uma única linha ou dobra do 5º dedo, os pés são separados entre o 1º e 2º dedos, já o pescoço apresenta mais gordura na região da nuca.


O diagnóstico da SD é realizado através do estudo cromossômico (cariótipo), em que se é detectado a presença de um cromossomo 21 a mais. Devido ao fato da síndrome ser cromossômica é possível realizar um diagnóstico pré-natal utilizando diversos exames clínicos que podem confirmar a partir da 14ª a 17ª semana gestacional. Outro exame é a ultrassonografia, medindo a prega nucal, que pode ser realizado a partir da 10ª semana de gestação. 

Ultrassonografia da Prega Nucal

Se desconhece o mecanismo da causa da SD, mas estudos científicos comprovam que  acontece igualmente em qualquer raça, sem nenhuma relação com nível cultural, social, econômico ou ambiental.  Cerca de 50% das crianças com a síndrome apresentam problemas cardíacos ou respiratórios, que devem ser acompanhados pelo médico cardiologista regularmente.

A Fisioterapia na Síndrome de Down

O bebê com SD requer muitos cuidados após o nascimento e durante seu desenvolvimento, assim como qualquer outro. Uma dessas razões é a hipotonia muscular (em que os bebês nascem mais "molinhos") e a frouxidão ligamentar, apresentando uma hiperflexibilidade. A fisioterapia atua particularmente no desenvolvimento motor da criança, auxiliando-a e ensinando a maneira correta e auxiliando no fortalecimento muscular. A fisioterapia pode atuar desde após o nascimento para que exercícios de estimulação para o desenvolvimento motor normal, atividades como: rolar, sentar, sustentar o pescoço, arrastar-se, engatinhar, ficar em pé e andar, exercícios chamados de: Estimulação precoce!


Estimulação precoce 

Outra indicação é a Equoterapia, uma abordagem da Fisioterapia que é realizada em cima do cavalo. É uma ótima opção de tratamento alternativo, pois fortalece os músculos, proporciona melhora no equilíbrio, maior concentração e novos estímulos. A participação dos pais e familiares durante a sessão de Fisioterapia é fundamental, pois a troca de informações e orientações trás grandes benefícios e qualidade de vida ao paciente.

Equoterapia na Síndrome de Down



FONTES:

www.fsdown.org.br

www.movimentodown.org.br

MATTOS, B. M.; BELLANI, C. D. F. A importância da estimulação precoce em bebês portadores de Síndrome de Down. Revista Brasileira de Terapias e Saúde, Curitiba - 2010.